Valeta, a Cidade Antiga: roteiro para desbravar Malta em 7 dias

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    Os balcões de Valetta
  • Malta sendo linda...
  • Sacra Infermeria
  • Upper Barrakka Garden
  • Restaurante Rubino (foto do site)

DIA 1 – VALETA: estar em outro tempo

Estar em uma capital tão pequena e de um dos menores países do mundo já oferece algo de extraordinário, mas quando consideramos o fato de Valeta ser patrimônio mundial da humanidade nos impressionamos mais ainda.

Certamente, ela não é uma cidade coquete e deslumbrante como Paris, muito menos da moda. Valeta é mediterrânea e barroca. O tempo lá parece passar diferente. É uma capital fortificada e a sua arquitetura é estranhamente familiar. Tudo ali faz parecer como se estivéssemos voltando. A pergunta que se faz é: para aonde?

A resposta é para o século XVI, quando a cidade foi construída.

Ela é fruto da inspiração de Jean Parisot de la Valette. Ele obteve o apoio da Igreja Católica e do rei da Espanha graças à uma impressionante virada que a sua Ordem – dos Cavaleiros de São João – obteve ao derrotar os Turcos durante o mítico grande cerco de 1565.

Malta tornava-se assim baluarte do Ocidente cristão, em uma guerra que foi não apenas exaustiva, mas também duradoura.

A cidade, por sua vez, é um testemunho de gênio criativo, de força e de arte. Foi uma das primeiras na Europa a ser construída com uma visão arquitetônica diversa da medieval, com avenidas mais largas e quarteirões quadrados. Isso sem falar no sistema de saneamento básico implantado ali – você verá isso claramente quando estiver andando por suas ruas.

Ainda assim, é uma cidade microscópica (55 hectares), mas que, entretanto, tem em seu interior impressionantes 320 monumentos registrados?! Resumido: é preciso “ter olhos de ver”, como diria uma professora minha. Então, se for desses viajantes apaixonados pelo encontro com outros tempos, este é o lugar.

Para entrar no clima!

Orientação

Meu objetivo é mostrar um percurso com os pontos paradigmáticos da cidade. São os lugares que me emocionaram, que me fizeram perceber algo de único, verdadeiramente maltês e mediterrâneo.

Quando estiver caminhando pela cidade, repare na arquitetura moderna, essas avenidas largas foram construídas no século XVI, não na belle époque de Haussmann. Não é incrível? Depois repare bem nas fachadas. Veja como a pedra clara das construções fazem um contraste interessante com as famosas galerias (gallarijas), coloridas.

Por último, só para anotar, este é um percurso que segue, mais ou menos, o entorno dos muros da cidade, mas você pode seguir qualquer uma das direções, do início para o final ou o inverso.

Roteiro

A) Fort Sant-Elmo e Museu Nacional de Guerra – esse forte é uma das importantes atrações da cidade. Sua localização o tornou militarmente fundamental no que diz respeito às defesas do país. É preciso um pouco de planejamento para visitá-lo. Atualmente, o acesso é restrito e só é possível visitá-lo com guia. Essas visitas só acontecem nos domingos, às 9h30m, e é preciso chegar às 8h30m para reservar um lugar (telefone: 22954300).

Ainda assim, você pode ir no museu em outros horários, e ele também fica no forte. Ele é interessante para os fanáticos por memorabilia de guerra, em especial da Segunda Grande Guerra. Não é nenhum Britsh Museum, mas realmente eles têm um acervo que faz a gente imaginar a importância estratégica que a ilha deve ter tido em tempos de guerra.

Veja essa brochura oferecida pelo Heritage Malta. Anote bem a entrada do museu.

B) Malta Experience – aqui você poderá ter uma apresentação sobre a história da cidade e do país, desde a pré-história até a atualidade. É uma apresentação audiovisual em várias línguas. Só posso dizer que achei interessante, não fiquei entediada e me ajudou muito nos outros passeios.

C) Sacra Infermeria (atual Centro de Conferência Mediterrâneo) – esse era o antigo hospital da Ordem dos Cavaleiros de São João (Ordem de Malta). O Malta Experience fica no seu subsolo. Então, não se preocupe, pois não andará muito e, de qualquer modo, tem sempre alguém orientando a visita. Você pode comprar os bilhetes para essas duas atrações juntos ou recorrer ao Malta Pass (falarei dele no próximo post).

Essa é uma visita despretensiosa, mas que a guia é capaz de tornar incrível! Imagine que está ali, em um salão enorme (hoje usado para grandes jantares), mas descobrindo como foi usado para servir de centro de medicina praticado pelos cavaleiros e depois durante a Segunda Guerra. Muito interessante. Essa recomendo (as visitas guiadas são feitas somente em inglês, mas eles são solícitos e podem ajudar com qualquer dificuldade).

D) Rubino – Hora da fome? Esse pequeno e simples restaurante merece uma parada. Aberto desde 1906, é micro como a cidade – por isso é bom fazer uma reserva. já aviso que a graça está em provar alguns pratos malteses. O restaurante não tem menu, mas pratos do dia, preparados de acordo com os produtos da estação. A comida maltesa não é bonita como a italiana, mas tem algum charme e, quando bem feita, vale ser considerada.

E) Teatro Manoel – esse teatro, um dos mais antigos da Europa, tem uma fachada singela, mas ao entrar a gente se surpreende. É uma jóia repleta de detalhes e pinturas por dentro. Você pode visitar o museu (entrada um pouco a frente do teatro) ou fazer um tour. Outra opção é se organizar para tentar assistir algum espetáculo (uma oportunidade única).

– O museu oferece áudio-guias em espanhol, inglês, entre outros, por 5 euros. Saiba mais por aqui.
– Também é possível alugar apartamentos a preços razoáveis para quem quiser ter a experiência de se hospedar em um teatro. Incrível! Para saber mais, veja aqui.

F) Catedral de Saint Paul– Essa é uma parada razoavelmente rápida, mas significativa. Uma igreja anglicana no meio de uma cidade barroca e católica?! É uma oportunidade para aprendermos um pouco pela própria oposição, não acham? Aconselho, no entanto, que vejam este link aqui antes de passar por lá, já que seus horários são um pouco confusos. Pode ser que a igreja esteja fechada. Bom, de qualquer modo, só a fachada já dá uma boa ideia dessas diferenças dos valores protestantes anglicanos e católicos barrocos.

G) Jardins de Hastings – não é exatamente um jardim, cheio de flores, mas certamente você encontrará um lugar para relaxar. Além disso, aqui se consegue perceber como Malta é de fato uma cidade fortificada. É um lugar ótimo para tirar fotos da baía e o melhor para ver o forte Manoel.

Entre os dois jardins (Hasting e Upper), pode-se passar pela “Our Lady of Victory Church Valletta”. Ela foi a primeira edificação e igreja construída na cidade por ordem do Grão-Mestre da Ordem de Malta (o Parisot de la Vallete) depois da vitória sobre os turcos Otomanos no Grande Cerco. ps.: a lembrança do Grande Cerco aparece viva em todos os cantos da cidade.

H) Upper Barrakka – seguimos para o Upper. Nosso último jardim do dia. Se quiser, pode deixar para vê-lo no dia seguinte, ao meio-dia, quando os canhões disparam no terraço inferior, o “Saluting Battery”.

Ver o entardecer aqui não é nada mal também. O Upper foi pensado como lugar de tranquilidade para os cavaleiros hospedados Auberge d’Italie – cada cavaleiro fica em uma hospedaria conforme sua língua. Hoje este auberge é o departamento de Turismo da cidade.

A partir do Upper, é possível pegar um elevador (inaugurado em 2012) que vai até Grand Harbour. Desse modo, fica bem mais fácil chegar ao Waterfront, um lugar ótimo, cheio de restaurantes, e com o famoso Lascaris War Rooms e o elevador custa somente 1 euro.

Dica Prática

O site Visit Malta oferece um serviço de busca e compra para eventos sazonais como óperas, shows, atrações culturais, etc. Quando souber a data em que estará passando pelo país, vale uma consulta para ver o que estará acontecendo de interessante.

Espero que tenham gostado do primeiro dia! Espero vocês para o nosso segundo dia de roteiro.

Besos,
Rapha Perlingeiro

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