Roteiro Mil e uma Noites em um Dia para Paris

  • Roteiro para descobrir a sofisticação da cultura árabe em Paris
    Roteiro para descobrir a sofisticação da cultura árabe em Paris
  • Detalhe no restaurante Atlas. Uma experiência gastronômica privilegiada
    Detalhe no restaurante Atlas. Uma experiência gastronômica privilegiada
  • Entrada do restaurante Atlas
    Entrada do restaurante Atlas
  • Instituto do Mundo Árabe em Paris - minimalista e beleza na arquitetura
    Instituto do Mundo Árabe em Paris - minimalista e beleza na arquitetura
  • Nova sessão sobre arte no Islam do Louvre
    Nova sessão sobre arte no Islam do Louvre

Paris é sempre uma ótima oportunidade para a gente se encontrar com outros lugares do mundo e, por que não, com aquela viagem que ainda não conseguimos esquecer/fazer. Pode ser o Japão, a China, a Grécia, a cidade te permite encontrar um pouco do mundo todo.


A sugestão de roteiro que deixo aqui foi inspirada depois de sair da exposição “Mil e Uma Noites” no Instituto do Mundo Árabe em Paris. O objetivo era explorar lugares em que a cultura árabe estivesse presente na cidade das luzes.
Eu fiz o trajeto e, no final do dia, senti-me mais que surpreendida por tudo que vi e acho que você também se sentirá assim.
 
Começamos o dia na beirada do Quartie Latin, perto do Jardin des Plantes. Se for de metrô, melhor ficar na estação “Place Monge”.

A) Mesquita de ParisA terceira maior da Europa fica lá?! Quem diria! Esse lugar é um achado, um segredo a ser descoberto pelos próprios parisienses. Foi construída na década de 1920 como agradecimento aos soldados mulçumanos que lutaram na Primeira Guerra Mundial. É um edifício lindo e completamente escondido pelas muralhas brancas que o cercam. É um local religioso e não turístico, então não espere uma recepção calorosa ou nada muito didático. Se aceitar o desafio, pode entrar no site e no item “visite guidée” tem algumas informações, mas está só em francês. Mesmo assim vale a visita, e a entrada custa menos de 5 euros. O jardim central foi a minha parte preferida, o objetivo dele é evocar o paraíso muçulmano. Lindo! A grande dica é fazer uma parada na casa de chá deles (existem duas entradas, uma para a mesquita, outra para a casa de chá). Você pode tomar um chá, comer aqueles doces típicos. Entre no clima  Casablanca. Outro detalhe interessante é que existe um mercado e um hamam– com os famosos banhos árabes. Se for destemido o suficiente…  Assumo que não fui.

B) Restaurante Atlas – esse restaurante marroquino é excelente. A decoração já vai te colocar em um clima de mil e uma noites. Repare nas paredes, parece que estamos entrando em Alhambra ou em uma mesquita marroquina. Mesmo com todo o detalhismo na decoração, o restaurante tem uma atmosfera descontraída e simpática. Minha recomendação vai para a tajine de vieiras no açafrão com cogumelos (tajine de saint Jacques safranée aux pleurotes). Peça também o chá no final, é um espetáculo a parte!
C) Livraria Averroès – agora é hora de alimentar o intelecto. Averroès (Averróis, para nós) foi um estudioso muito importante em nossa história. Andaluz, de Córdoba, mostrou-se um dos grandes nome na história da recepção da obra Aristotélica no Ocidente! Não é incrível que um árabe tenha sido responsável pela redescoberta de um mais preciosos patrimônios da cultura ocidentais?

A pequena livraria é especializada em títulos da cultura árabe e muçulmana. Lá você verá obras raras, edições numeradas, livros ilustrados, etc.

D) L’Institut du Munde Arab – os antenados gostam de dizer que é o máximo ir no instituto para ficar no terraço tirando foto no entardecer ou comendo no Le Zyriab. Mas, só de chegar perto do prédio, você verá que ele tem muito mais a oferecer. Mergulhemos mais fundo! Fruto da colaboração entre 22 países árabes e a França, o prédio é lindo e minimalista, tudo ali gira em torno da valorização da luz. Ele foi construído em 1987, tendo entre seus arquitetos Jean Nouvel, referência de arquitetura francesa. Feito todo em alumínio e vidro, com sugestões estéticas ao mundo árabe (por exemplo,  o muxarabi). O objetivo do instituto é funcionar como uma espécie de vitrine do conhecimento e da cultura árabe para o mundo Ocidental, em Paris. O Instituto tem, além da biblioteca (marcar visita por telefone) e sala de cinema e apresentações, uma livraria/loja do museu ótima no primeiro andar. O museu também vale a visita, é bom checar o site do instituto, porque eles sempre tem alguma exposição interessante. Se souber francês, não deixe de fazer a visita guiada! Infelizmente, eles não oferecem em outras línguas (já enviei meu e-mail de protesto. Pedindo guia em português, claro!).
E) Departamento de Arte Islâmica do Museu do Louvre – o departamento de arte islâmica no Louvre existe desde 2003, mas em 2012 foi totalmente reformado, o que mostra uma maior importância dada a esta coleção no museu.

Os arquitetos Mario Bellini e Renaud Piérard foram os responsáveis pelo “Cour Visconti”- inacessível durante tanto tempo ao público. Ali está instalada a coleção de arte islâmica, sob um enorme telhado de vidro ondulado, numa imagem que nos faz lembrar um grande véu dourado e, por algum momento, nos faz pensar em um tapete voador mágico. São mais de 2.500 obras reunidas ali em dois andares que se comunicam. Não existe melhor lugar para se terminar o dia!
Sob um tapete mágico, no meio de todos aqueles resquícios de tantas histórias de outros tempos e lugares.

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