Anti-Réveillon: para quem cansou das furadas cariocas

  • Ritual do desapego foi o mais emocionante
  • Que tal um tchibum simbólico?

As festas acabaram, 2015 já chegou, mas eu queria contar um pouco sobre como passei o meu Ano Novo em ritmo de Anti-Réveillon.

Carioca e cansada de tantas furadas de Réveillon (elas só não superam as do carnaval), resolvi instituir o Anti-Réveillon.

O Anti-Réveillon é um antídoto para toda banalidade que se instala quando assunto é a chegada de um novo ano. Não significa passar a virada dormindo, claro. Isso seria uma oposição apenas linguística ao “acordar” para o Ano Novo (réveillon, vem do em francês “se réveiller”, acordar). É antes a prática de pequenos rituais significativos para vivermos a experiência de abertura para o “novo”.

Como fiz isso?

Se alguém quiser (ou for louco suficiente, sei lá) praticar o Anti-Réveillon deve estabelecer os seus próprios pequenos rituais. Acho que essa é a única grande regra. Ser autor, escolher e refletir sobre nossos pequenos rituais. Os meus foram três. Pequenos e totalmente particulares. Vejamos:

Ritual do Desapego – foi o mais complexo e emocionante deles. No dia 31, depois de acordar bem tarde (o importante é que seja a hora desejada), comecei a dar uma limpa na casa. Abri os armários, vasculhei a papelada, documentos. Separei tudo que queria dar e o que queria que ficasse. A parte emocionante? No meio dos documentos do inventário do meu pai, encontrei uma carta que ele tinha deixado para mim e outra para meu irmão, junto com o seu diário do período do A.A. Preciso dizer que quase desidratei? Foi lindo, e ainda pude encerrar o ritual  com essa sensação de libertação e desapego do passado.

Ritual da Fartura – é um ritual de preparação de uma comida afetiva. Eu escolhi pizza. Isso mesmo, pizza. Que foi servida com vinho branco e chocolate tosco de sobremesa. Tudo muito simples, nada harmônico. No entanto, foi o carinho que minha barriga precisava. Cada um com suas tradições. Uns estão preocupados com o animal que será ingerido etc. Eu queria algo que fosse vegetariano (não que eu seja uma, apesar de cada dia mais adepta) e que fizesse parte da minha história afetiva. Fartura é um conceito muito mais amplo do que consideramos. A minha ideia era associá-la mais a qualidade do que a quantidade. Depois disso, o negócio é dormir não tão tarde para ter forças para o próximo ritual.

Ritual da Renovação – consiste em um mergulho com convicção na água do mar o mais cedo possível. O objetivo é ter um momento de integração com as forças da natureza para simbolicamente “nascer” dela. É muita viagem, eu sei. Te dou até permissão para implicar. O importante é que foi incrível… para mim, claro. Eu queria acordar às 6am, ver o sol nascer na praia do Leblon (que fica bem mais limpa que a de Copa) antes do tchibum simbólico, mas o que consegui foi ver o sol nascendo da janela da cozinha e sair correndo para pegar um ônibus e ir para praia. E ela já estava limpíssima (o pessoal da Comlurb é muito bom) e tranquila. Que maravilha! Foi realmente aquele momento para energizar, desejar tudo de bom para o universo e nascer para 2015.

E aí? Você tem algum ritual particular para o Réveillon? Se quiser, pode contar que eu gosto. Você pode deixar seu ritual aqui embaixo nos comentários ou mandar no twitter para @RaphinadasBlog.

2 comentários

  1. Ayala Lopes disse:

    Nossa Rapha, que ritual singelo e forte. Se parece muito com os meus. Todo final de ano ou eu doou roupas e acessórios há anos ou me dôo em atividades voluntárias (arrecadação/distribuição de presentes para crianças em situação de risco ou visita de natal à hospitais). Há 2 anos cheguei a possuir apenas 1 mala grande de roupas. Era tudo que eu tinha e estava feliz! Hoje a mala cresceu mas minha meta é comprar algo novo apenas para repor o velho, quebrado, rasgado 🙂 Aqui na Bahia desde criancinha a gente tem aquela força maior que chama para pular as 7 ondas do mar na virada. E eu sempre tento fazer isso! Quanto à fartura, ela está na minha ceia em família!

    1. Raphinadas disse:

      Ayala,
      Foi muito intenso mesmo.Gostei de saber que você também tem seus rituais de desapego. O seu está mais complexo! Gostei.
      1 mala só é super meta!
      Com relação à pulada das 7 ondas, tem muita gente aqui no Rio que faz isso. Adorei a poesia da “força maior”.
      Mil bjs, bom te ver por aqui 😉

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