Lisboa na mesa: A Travessa, noite com História

  • Claustro das Bernardas, onde é possível jantar nas noites de primavera e no verão (imagem by A Travessa).
  • Vieiras braseadas com risotto de espinafres
  • Medalhão de veado com trufas
  • Detalhe da lareira gigante onde é possível jantar
  • Crocante de framboesa

English version by the end this post.

Raphaella Perlingeiro e Bruno Moreira-Leite

No antigo convento das Bernardas, no coração da Madragoa, A Travessa além de uma gastronomia de duplo assento entre a Bélgica e Portugal, é um endereço para se sentir romântico à moda antiga. Luz amarelada e pedras com muita história para contar.

O convento das Bernardas do Mocambo remonta ao ano de 1653, graças a uma concessão de D. João IV. O lugar fazia parte da ordem cisterciense (ordem monástica católica de origem medieval e que pregava o ascetismo e o trabalho como valor fundamental). O prédio se manteve fechado para a ordem até que o terremoto de 1755 o destruiu quase que completamente. Em 1758, no entanto, começa sua reconstrução sob o olhar de Giacomo Azzolini, o mesmo responsável pelo Museu dos Coches! A partir de 1786, o prédio é desapropriado e arrendado para servir como colégio, teatro, entre outras funções. Hoje ali funciona também o Museu de Marionetes, a Câmara Municipal e algumas residências, além do restaurante, claro.

O restaurante começou em 1978, na Travessa das Inglesinhas – nas proximidades. O clima era servir como se estivessem em sua própria casa. Com o sucesso do empreendimento os donos passaram para este novo endereço, o Convento das Bernardas e agora a proposta pende para algo mais sofisticado.

Viviane Durie, a fundadora, é Belga. Em 1994, junta-se a ela o português António Moita. Por causa das origens daquela, a casa desde o início caiu nas graças de uma clientela francesa – o que pudemos comprovar na prática.

O lugar de fato é muito bonito, e por si só já vale a experiência. Tudo decorado para trazer ar de moda antiga. Mesas de madeira trabalhada, pequenos objetos e vasos espalhados. Talvez você ache as mesas muito próximas umas das outras, depende de onde ficará sentado, mas o ambiente é bem grande. Uma das graças do lugar é a possibilidade de na primavera e no verão se jantar no espaço interno dos claustros, em meio aos grandes arcos de pedra. Além disso, também é possível também ficar sob uma enorme lareira no seu salão. Tudo à meia-luz, talvez para dar mais vida à experiência de se estar vislumbrando outros tempos.

Sobre a cozinha, podemos dizer que nos sentimos em uma espécie de entre-lugar, um pé na Bélgica, outro em Portugal. Isso porque o chef Nuno Coelho – com sua experiência de quem já passou por restaurantes como Belcanto e Elevan – também é belga e serve ali algo que fala essas duas línguas. Nós temos os mexilhões com fritas, mas temos também os pratos como o secretos de porco, típico de Portugal. Uma mistura de acentos agradável e que tem feito história no cenário gastronômico lisboeta já faz tempo.

Nosso último conselho vai para que não deixem de provar os “secretos de porco preto” da seleção de entradas. A nossa noite também incluiu o prato de “vieiras braseadas com risotto de espinafres” e depois passamos para o “medalhão de veado com trufas“. De sobremesa, o “crocante de framboesas“. Para acompanhar bebemos o vinho alentejano Subsidio (2010).

Ponto alto: a vista do claustro
Ponto baixo: anchovas e a tarte tatin de tomate (entradas)
Clima: jantares românticos, refeição em sítios históricos
Como chegar: táxi.
Dica: ir na primavera ou no verão e fazer uma reserva para jantar na varanda interna do claustro
Dica 2: conhecer também o restaurante “Travessa do Fado”, dos mesmos donos. Ali servem comida portuguesa em versão para petiscar.

A Travessa

Endereço: travessa do Convento das Bernardas 12,
1200-638, Lisboa, Portugal
Telefone: +35 1 21 394 0800
Horário: ter-sex 12h30-15h e 20h-00h; seg e sáb 20h – 00h; dom fechado
Reserva: fundamental
Preço: +/- 40 euros

Travessa

 

Lisbon is served: A Travessa, a night with History.

 

In the former Convent of Bernardas, in the heart of Madragoa, A Travessa , on top of having a kitchen that rests on both Belgium and Portugal traditions, is an address to be in a romantic old-fashioned mood. Yellow lights and stones with many stories to share.

The convent of the Bernardas do Mocambo dates back to 1653, thanks to a grant from King John IV. The place was part of the Cistercian Order (a catholic monastic order of medieval origin that preached asceticism and work as a fundamental value). The building remained exclusive for the order until the earthquake of 1755 almost destroyed it completely. In 1758, however, its reconstruction begun under the attention of Giacomo Azzolini, the same responsible for the National Coach Museum! From 1786 on the building was expropriated and leased to serve as college and theater, among other functions. Today, the building also houses the Puppet Museum, the City Council and some residences, besides the restaurant, of course.

The restaurant started in 1978 in the Travessa das Inglesinhas – a nearby address. The idea was to serve customers as if they were in their own homes. With the success of the endeavor, the owners moved to this new address, the Convent of Bernardas and now the idea leans towards something more sophisticated.

Viviane Durie, the founder, is Belgian. In 1994, she was joined by the Portuguese António Moita. Because of Viviane’s origins, from the beginning the house was in great favor with French clientele – something we could see in action right away.

That place is indeed beautiful, and by itself is worth the experience. All was decorated to bring up an old-fashioned atmosphere – Handcrafted wooden tables, small objects and scattered vases. You may find the tables too close to each other, depending on where you’ll be seated, but the room is quite large. One of the strong points of the place is the possibility of dining in the cloisters during the spring and summertime, among the large stone arches. In addition to that, you may also seat under a huge fireplace in the great hall. All of this in half-light, perhaps to give more into the experience of glimpsing another time.

About the kitchen, we can say that we felt in a kind of in-between countries, one foot in Belgium, another in Portugal. This is because the chef Nuno Coelho – with the experience of someone who already worked in restaurants like Belcanto and Elevan – is also Belgian and serves something that speaks these two “languages. We find there the mussels with fries, but also dishes like the “secretos de porco”, typical from Portugal. It’s a nice mixture of accents and one that has made history in the Lisbon dining scene for a while now.

Our last advice is do not forget to try the “secretos de porco preto” from the starters list. Our evening also included the dish “seared scallops with risotto spinach” and then moved on to the “deer medallion with truffles.” For dessert, we had the “crispy raspberries”. With that, we drank the Alentejo wine Subsidio (2010).

High point: the view of the cloister
Lowlight: anchovies and tomato tarte tatin (starters)
Mood: romantic dinners, meals at historic sites
How to Get there: taxi.
Tip: go during spring or summertime and make a reservation for dinner in the inner cloister balcony
Tip 2: go to the restaurant “Travessa do Fado” as well (it belongs to the same owners). They serve snacking versions of traditional Portuguese food.

A Travessa

Address: lane of the Convent of Bernardo 12,
1200-638, Lisbon, Portugal
Phone: +35 1 21 394 0800
Hours: Tues-Fri 20h-00h and 12h30-15h; Mon and Sat 20h-00h; closed Sun
Reservation: Essential
Price: +/- 40 euros

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *