Livros para Viajar: “A Parisiense” (versus a nossa Garota de Ipanema)

LIVRO: A Parisiense: o guia de estilo de Ines de La Fressange com Sophia Gachet. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2011

A primeira vez que soube do guia da Ines de la Fressange foi pelo blog de uma amiga: Desvendando Paris – aliás, recomendo para aqueles que querem ter um olhar estrangeiro, mas a partir de alguém que vive na cidade e se sente extremamente nativo nela.

Uma semana depois de ler o post da Vanessa esbarrei com “A Parisiense” na Livraria da Travessa e resolvi me arriscar. Comprei e adorei!

O guia é de estilo, mas para aqueles que gostam de viajar para a cidade tem referências incríveis. Não apenas no último capítulo: A Paris de Ines, com dicas de restaurantes e hotéis (para se guardar com carinho), mas já antes, quando a autora ensina como fazer a mala e voar com classe.

Óbvio que precisamos ponderar, afinal de contas a autora é uma ex-modelo, longilínea de um 1,80m, e nós brasileiras não somos tão altas assim, isso sem falar no nosso quadril! Por isso é fundamental não esquecer um dos primeiros mandamentos do guia: usar o que lhe cai bem. Existem muitas sugestões que simplesmente não cabem no nosso physique du rôle. Suéter azul-marinho com jeans branco é maravilhoso e fica perfeito em uma parisiense, mas na garota de Ipanema, jamais!

Desse modo, meu conselho é para que, como Ulisses na Odisséia, nós resistamos ao canto da sereia. O melhor é se amarrar em um mastro qualquer para ler este guia irresistível. Só assim aprenderemos com os conselhos de Madame de La Fressange, e mais que isso, ultrapassaremos nossas urgências para ser chic em Paris, para enfim descobrirmos que a única maneira de conseguir isso é nos aceitarmos como maravilhosamente brasileiras.

Seguem três conclusões que cheguei sobre ser uma viajante brasileira:

1) Nós não somos básicas.

“Ela passeia pela Saint-Germain-de-Prés e foge de tudo o que é exagerado e chamativo. Não ter cara de perua é a idéia” (La Fressange, 2011, pg. 12)

A brasileira não é cartesiana. Ela até divide o seu guarda-roupa em básicos e as “paixões”, como autora recomenda, mas com certeza, essa será uma divisão de 70% para os luxos e exageros e 30% para os básicos. Quantas camisas brancas básicas uma pessoa precisa? Risos. Esse é o pensamento. Nós não queremos ser “simpáticas”, “básicas”. A gente quer arrasar, e sempre. A ciência para isso? Vamos errando e acertando, sem medo de arriscar. Às vezes perua, às vezes Giselle.

2) Nossa mala é grande.

“A parisiense gosta de dar a impressão de viajar leve. Prefere duas pequenas malas de rodinhas de náilon a uma grande e pesada que arrebenta as costas.” (La Fressange, 2011, pg. 57)

Tentamos, tentamos e não conseguimos. Melhor aceitar. Nossa mala sempre fica grande. A mala de uma brasileira sempre será maior do que a de qualquer parisiense, sempre! Sabe o por quê? Na maioria das vezes, enquanto a parisiense está a uma média de 2 ou 3 horas de vôo para seu destino, nós, brasileiras, estamos a 10, 12 horas do nosso. Nós queremos nos garantir, oras!? Uma viagem para o outro lado do mundo e durando 15, 20 dias, requer toda uma infra. Remédios, casacos e, principal, o espaço para as compras.

3) Nossa alma é de muambeira.

A mãe de uma amiga minha é dona de uma agência de viagem. Ela estava me contando que a primeira pergunta que fazem é: quantos quilos posso levar na mala? Preciso dizer mais alguma coisa? A gente a-do-ra comprar! Eu mesma, lendo o capítulo sobre a moda parisiense, fiquei com uma coceira pensando no próximo tour pelas lojas indicadas pela autora. Isso sem contar as lembrancinhas inúteis que temos que oferecer a cada viagem. E aí de nós! (ah, essa culpa católica! Que peso ela faz na minha pobre malinha gigante e nada leve!)

Bisous et à bientôt!

Ponto Alto: quase como ler uma revista de moda
Ponto Baixo: entender que não somos parisienses
Categoria Pessoal: “toda brasileira quer ser chic em Paris”

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10 comentários

  1. Jaysa disse:

    Ganhei esse livro de presente de aniversário na exatos quatro anos. Ainda não cansei de folhear. Adorei o texto. Gosto da maneira que você escreve, conversando com a gente como se estivéssemos tomando um café.

  2. Alline disse:

    Sempre torci o nariz para esse livro, mas depois do post fiquei interessada em saber o que tem nessas páginas 😉

    1. Alline,
      Que bom te ver por aqui. Acho que você vai gostar, não de tudo, mas de muita coisa.
      bjs

  3. Letícia disse:

    Prima, gosto a gente não discute, saber escolher uma roupa adequada a um determinado ambiente, não é muito fácil. Paris é uma cidade fascinante, e acho muito legal a idéia de misturar o clássico parisiense com o tropical brasileiro. Podemos nos inspirar na elegância francesa, mas não podemos nos esquecer da alegria, espontaneidade e sensualidade (não é vulgaridade) brasileira, o ideal é termos os dois juntos. Quem sabe misturar essas duas modas na medida certa, consegue ser perfeito!
    Adorei esse blog, ainda mais tratando-se de Paris!

    1. Leticia,
      Prima. Você respira Paris, então fica até difícil falar para você, mas acho que tem razão.
      Ponderemos!
      bjs

  4. Sil disse:

    Gostei, pois foi assim que eu li essa deliciosa revista em formato de livro que é A Parisiense! Temos mesmo que adaptar, o clima é outro, tudo é outor. Mas não deixa de ser um aviso bom pra brasileira segurar um pouco a onda…

    1. Sil,
      Verdade. E como é difícil segurar a onda. Risos. Parece que está na nossa alma.
      bjs

  5. Adorei o texto.
    E a mais pura verdade temos que adaptar 🙂
    beijinhosss

    1. Adaptação parece fácil, mas não é, certo?
      bjs

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