Colette: a melhor loja-conceito de Paris

  • Loja-conceito em Paris para enlouquecer!
A Colette é melhor que botox, e eu vou te explicar o por quê.
Vocês conhecem a história sobre o sítio arqueológico onde foi encontrada a suposta Tróia de Homero? O arqueólogo alemão Heinrich Schliemann em 1870 foi lá para as bandas da nossa atual Turquia em busca da Tróia cantada por Homero. O que ele achou, no entanto, foi não apenas a cidade (existe um certo debate sobre esse tema), encontrou também vestígios de várias cidades, cada uma construída sobre outra. 

Acho que Paris é metaforicamente assim. Para todo lugar que olhamos são camadas e camadas de cidade, de História. Temos a Paris da Segunda Guerra, a Medieval, e por aí vai. Paris, na sua condição de cidade antiga, pode ser considerada como uma verdadeira anciã. Daquelas que não escondem os efeitos da passagem do tempo, mas que, vez ou outra, recorrem a alguns procedimentos – não tão radicais -, só para dar uma refrescada.

A loja Colette é um desses procedimentos não tão radicais; é como um botox para a madura Paris.

Ela é uma “loja-conceito” que não vende coisas, mas tendências. Tudo ali é assinado por algum descolado da moda. Os seus objetos carregam esse poder mágico de revigorar o espírito de quem os compra. Uma caneca de preço abusivo da Colette não é apenas uma caneca. Ela tem um desenho único, especial e novo que vai deixar a sua casa e você em sintonia com o estado da arte mundial. Verdadeiro botox para os descendentes de Carlos Magno, não?

Em resumo: a Colette é o que existe de mais moderno, avant la lettre, super-ultra-mega-blaster no que diz respeito ao quesito loja.
 

E você pergunta: qual é a especialidade da Colette? E eu te conto. Nada e tudo. O que ela vende de fato é o conceito. É a ideia do luxo de ser “agora”, ou melhor, de ser o que amanhã todo mundo vai estar amando (então, você, pessoa antenada, deve descobrir antes de todos). São livros, objetos para casa, roupas, bijous, cremes. Tudo misturado.Ah! Sabe Wine-bar? Onde se vai para degustar vinhos? Coisa antiga, de velho! O negócio agora é “water-bar”. Um lugar para você degustar vários tipos de água mineral. É sério! Botox na cara, baby!Outro ponto: a Colette, como uma digna representante das lojas-conceito, nos mostra o objeto de consumo como objeto de arte. Assim, o que ela nos oferece é uma espécie de curadoria de objetos de arte-consumo. É uma galeria de arte/loja.

O objetivo é mostrar para o consumidor que todos esses objetos esquizofrênicos carregam algo maior do que seu design e sua qualidade, eles revelam um estilo de vida (um lifestyle). E este estilo, por sua vez, evocam determinados valores. No caso da Colette, os valores que estão por trás dos seus objetos, a meu ver (que isso fique bem claro), são os do luxo de ser vanguarda. 

Ali, você não terá a graça de uma peça Chanel que será herdada por gerações. Por outro lado, certamente terá a sensação de comprar algo inovador, artístico e mais que atual. É uma guerra perdida, mas um desejo universal: a Colette vende a poção da juventude. Eu prefiro as rugas de uma clássica peça Chanel, mas o peso do tempo é cruel e, às vezes, até a mais sábia das anciãs precisa de uma ajudazinha do mundo moderno, não?

Colette
213, Rue Saint-Honoré, Paris

Um comentário

  1. joo disse:

    Ótima visão sobre a Colette! Sempre que vou lá fico louca, tem muita coisa legal e imperdível!

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