7 Tradições de Natal Bizarras: minha seleção

  • Gävle - a cabra natalina
  • O Tió Nadal vai "defecar" presentes de natal?!
  • Esses são os Kallikantzaros, monstrinhos da mitologia européia de origem grega (foto de divulgação)
  • "Mummers" da Letônia em uma imagem medieval (foto de divulgação)
  • Tradição de queimar espinhos na Noite de Natal no Iraque

O ser humano é algo realmente imponderável. Eu vejo tanta (mas tanta) gente fazendo uma força colossal para ser enquadrar, para ser especial sendo igual. Isso deve dar muita depressão, não? É uma luta perdida. Somos todos estranhos, cheios de mania e únicos, iguais apenas nesse desejo louco de ser amado.

O Natal é uma boa prova disso. Vocês já pararam para pensar na quantidade de tradições natalinas bizarras que existem no mundo? Para mim, isso é constatação de que “normal” é um conceito arbitrário e que serve apenas ao propósito de nos engessar e nos tolher.

O meu convite é para que a gente de um passo a frente do natal pasteurizado dos filmes americanos. Eu fiz uma seleção – a partir de vários posts e matérias – com tradições natalinas que me pareceram as mais inusitadas possíveis. Escolhi comemorações que fazem a gente pensar qual o sentido disso tudo. Além dos pieguimos, o natal pode ser um momento para nos maravilharmos com nossa própria humanidade.

1) Tió Nadal – Catalunha

A tradição mais bizarra de todas, sem dúvida alguma. O Tió Nadal, popularmente chamado Tió Caga Gasta, é um tronco de madeira enfeitado com uma carinha bem simpática e feliz. A partir do dia 8 de dezembro (festa da Imaculada Conceição), ele deve ser alimentado e também coberto com uma manta para ser protegido do frio. Na véspera de Natal começa-se a cantar uma música que pede para o Tió “cagar” presentes de Natal. A tradição diz que antes de bater no Tió, as crianças devem sair da sala e rezar pedindo ao tronco para ele defecar bastante presentes. Enquanto elas rezam, os presentes “magicamente” aparecem embaixo do cobertor. Olha esse vídeo aqui e vê-se não é bizarro.

2) Queima de espinhos – Iraque

Essa tradição eu achei com uma simbologia bonita. No Iraque, no jardins da casas, os cristãos lêem em árabe a história do nascimento de Jesus para suas crianças. Todos ficam em silêncio escutando a narrativa com velas acessas na mãos. Uma vez que a história termina, um dos familiares acende um monte de espinhos que formam uma espécie de fogueira enquanto os outros cantam um hino. Depois que os espinhos acabam de ser queimados, todos devem fazer um desejo de Natal e saltar sobre a pilha de cinzas. As cinzas também ajudam a família a prever se o ano seguinte será bom ou não, o segredo é que os espinhos se transformem em cinzas completamente.

3) Monstrinhos Gregos

Esse é um mito genial de Natal! É preciso entendê-lo simbolicamente. Os Kallikantzaros são monstrinhos sacanas do folclore europeu e que têm origem grega. O mito diz que esses seres malévolos ficam no subterrâneo roendo as raízes da “árvore do mundo” – se está árvore ruir o mundo se destruiria também. O único momento em que eles param é na madrugada de natal, quando podem subir à superfície da terra. Tentados a atrapalhar a vida dos mortais, eles esquecem da árvore. Este tempo é o suficiente para que a árvore se cure. No dia 6 de janeiro, quando o sol se move novamente, eles são obrigados a voltar ao subterrâneo aonde percebem que seu trabalho deverá começar todo novamente.

Como evitá-los nesses 12 dias entre o Natal e o dia 6 de janeiro? Deixe sua lareira acessa (para impedir que eles entrem por ela), queime um sapato nela (o cheiro de sapato incomodam os monstrinhos) ou – o meu preferido – pendurando um coador na porta (eles não resistem em contar os buracos, mas não conseguem dizer o número três, então ficam presos no dois. risos).

Lembra do filme Labirito? Ele tem um fundo de inspiração nesse mito. Uma da variações do mito é o de que qualquer criança que nasça neste período corre o risco de se tornar um Kallikantzaros, por isso os país a cobrem com alho e palha.

4) Restos para os Defuntos na Bulgária

Esta tradição búlgara lembra um pouco a tradicional “consoada” como feita no norte de Portugal. Provavelmente, você vai achar isso um tanto quanto mórbido, mas eu acho bonito. Em Portugal, no norte ao menos, é ainda costume deixar um lugar a mais preparado na mesa na noite do dia 24 para 25 de dezembro. Essa é uma maneira de lembrar dos parentes queridos que não estão mais conosco. Um símbolo para dizer que ainda somos uma família, presentes e ausentes.

Na Bulgária, eles melhoram ainda mais. Lá, as famílias jantam juntas na véspera de Natal, mas, uma vez que terminam, não devem limpar a mesa. Nada é tocado, todas as sobras devem ficar intactas para que os parentes falecidos possam banquetear uma vez que todos estejam dormindo. Deve ser um sono bem tranquilo essa noite, certo?

Veja um poema do Bandeira sobre a Consoada portuguesa:

Consoada (Manuel Bandeira)

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
– Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

5) Gävle – a cabra incendiada?

Esse é o nome de uma cidade da Suécia, e a sua principal atração turística acontece no Natal quando é  construído uma gigante estátua de cabra feita em madeira e palha.

Em 1966, ano da sua construção, foi incendiada pela primeira vez. Desde então, virou uma tradição observar quanto tempo a cabra permanece intacta. Ela já foi alvo de vandalismo 23 vezes. Apenas uma vez, em 2001, as autoridades conseguiram deter os autores dos ataques, quando um norte-americano de 51 anos passou 18 dias na prisão.

6) Velas para os mortos na Finlândia

Essa é mais uma daquelas tradições mórbidas, mas que têm algo de belo. Na Finlândia, Natal é dia de visitar cemitérios. As pessoas reservam essa noite para ir acender velas nos túmulos dos parentes queridos. Como todos fazem isso, os cemitérios ficam todos iluminados. Dizem que o efeito é espetacular! E parece que atmosfera é tão tranquila e pacífica, que muitos que não têm parentes mortos acabam visitando os cemitérios só para ver como eles ficam.

7) Visitantes Mascarados – Letônia

Que tal um misto de Halloween com Natal? Além da Letónia declarar ser o lar da primeira árvore de Natal é o endereço de tradições religiosas “pagãs”, chamadas de Yule (tradições do solstício de inverno).

Lá, o Natal é dedicado a afastar os maus espíritos. É a “pantomima”, e os envolvidos nesta prática, os “mummer” (atores mascarados) vestem-se de lobos, cabras, ursos, entre outros, para passar de casa em casa. As famílias aguardam a chegada deles. Eles são convidados a entrar, mas antes devem dançar e cantar. Uma vez dentro da casa, são recebidos fartamente em troca de proteção contra as “forças ocultas”. Contudo, se a identidade de um deles for descoberta, este deve retirar a máscara, pois perde seu poder de proteção.

Fontes: This is Ego; Mundo Estranho; Fox NewsTelegraph e The Guardian

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