Sobre a Arte de Comer em um Bistrot Parisiense

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Bistrot Parisiense

É da natureza humana criar expectativas e fantasiar, e isso pode nos levar a uma série de frustrações. Paris é uma cidade propicia a esse tipo de problema. Mesmo antes de ir, já a arquitetamos em nossos corações, imaginando os detalhes de nossa futura experiência. Isso pode parecer desastroso, mas eu acho apenas humano e maravilhoso. É como o autor italiano, Edmondo De Amicis disse: “Nunca vemos Paris pela primeira vez; sempre a vemos de novo…” * Ela já existe dentro de nós e quando chegamos lá, temos que destruir o sonho e construir um novo. Isso não é uma oportunidade especial? 

Por isso quis escrever este texto. Resolvi fazer uma lista para você chegar na cidade desperta para essa aventura que é conhecer os bistrôs parisienses. Para te dizer que vale a pena reservar alguns momentos para isso e que existem alguns detalhes que podem te ajudar bastante. 

Além disso, porque minhas experiências se mostraram um pouco longe das fantasias que eu alimentava sobre os “tais famosos bistrôs parisienses”. No entanto, mesmo assim me apaixonei por eles, pelo espírito deles. Por seus cheiros acolhedores, seus gostos de cotidiano, mas sobretudo pelas suas idiossincrasias, pelo modo como são capazes de revelar o melhor do humor parisiense. E eu desejo essa descoberta para você. 

* esta citação eu encontrei no livro “Paris” de Colin Jones. Se quiser comprar e apoiando o Raphinadas, clique aqui:

Para entrar no clima “Bistrot”!

Assim, deixo alguns pontos para considerarem antes de vir (2014):

1) A demora – se estiver com pressa, não pare para comer em um restaurante ou bistrô em Paris. Provavelmente, a sua refeição irá consumir 2 horas do seu dia, no mínimo. Então, se quiser aproveitar o dia para outras coisas, deixe para jantar bem e se conforme com um crepe dos quiosques, sanduíche ou algo do tipo. Aqui os restaurantes tem poucos garçons, e o timing para o serviço é outro.

2) Prefira os bistrôs mais escondidos – esse é um ponto totalmente subjetivo, e existem alguns bons bistrôs nas ruas principais. Agora, pela minha experiência, quanto mais escondido; quanto menor for a rua ou mais afastado dos centros turísticos maior a chance de encontrarmos algo especial e autêntico.

3) Pesquisa prévia – recomendações são fundamentais. Se você for como eu, que coloca o ato de comer como um programa em si, vale separar alguns bistrôs imperdíveis. Separe por bairro ou arrodissement, isso também pode ajudar. Em Paris você encontrará de tudo, dos bistrôs históricos; os gastronômicos, entre outros.

Se achar muito difícil montar uma seleção para você, lembra que estou aqui. É uma tranquilidade saber que tem alguém junto com você preocupada em aglutinar todas as suas vontades e expectativas gastronômicas. Escreve para mim, é só clicar aqui.

4) Mesas pequenas – é impressionante. Além das cadeiras viradas para as ruas que todo mundo acha lindo, os bistrôs tem mesas incrivelmente pequenas. Você chega a pensar que será impossível colocar os pratos nela, mas não se preocupem, eles dão um jeito. Ah! Mais um detalhe, você se sentará quase no colo do seu vizinho 😉 .

5) A temperatura – no inverno o aquecimento costuma ser temperamental. Então, se prepare. Você pode entrar em um bistrô e, de repente, chegar a acreditar que está em pleno verão carioca. Outras vezes, se estiver em uma mesa perto da porta, apesar de uma temperatura agradável, ficará recebendo golpes sistemáticos de vento glacial. Não é o fim do mundo, mas é bom saber.

6) O Pedido – nada de ficar pedindo tudo aos poucos. Escolha e peça tudo de uma vez. Lembre-se, os garçons são poucos e sem pressa. Outra coisa interessante: aqui você pode pedir uma “carrafe d’eau” (jarra de água da bica) para acompanhar seu vinho sem problema (grátis). Se você quiser ganhar pontos com a cultura francesa ou com os garçons temperamentais daqui, saber escolher vinhos e pedir pratos da estação também conta ponto. Essa habilidade e vontade eu não tenho, mas é verdade.

7) A questão da língua – o serviço por essas bandas anda melhorando. Além de um número crescente de pessoas falando inglês, é palpável um esforço para receber melhor os turistas. Contudo, falar francês, mesmo que muito pouco, é algo que mudará completamente sua experiência gastronômica. O parisiense valoriza muito os visitantes que fazem um esforço para aprender sua língua. Isso tem consequências quando se entra em um bistrô. Dizer: “une table pour deux” (uma mesa para dois) ou um “bonjour”, já faz a diferença.

Espero ter animado e preparado um pouco vocês. A comida francesa e a cultura dos bistrôs é incrível. Sou uma apaixonada! Por mim, passaria os dias pulando de bistrot em bistrot. Descobrindo lugares charmosos, históricos e simplesmente inesquecíveis. Já deu até saudades.

Um comentário

  1. Mônica Hiromi disse:

    Adorei essa raphinada! Super dica!!! 🙂

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